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Raiva

"Não somos ondas, somos parte do Oceano. Embora indivíduos, afetamos o Universo à nossa volta. Elevemos nosso padrão vibratório para afetá-lo positivamente"


OSHO. Bhagwan Shree Rajneesh.
O Livro dos Segredos. Ed. Ícone
DIRIGINDO-SE À FONTE


"Quando um sentimento contra ou a favor de uma pessoa surgir, não o coloque na pessoa em questão, mas permaneça centrado".


Quando surge um sentimento de ódio contra uma pessoa, ou um sentimento de amor por alguém, que fazemos? Nós o projetamos sobre a pessoa. Se você sente raiva de mim, esquece completamente de si mesmo nessa raiva, apenas eu me torno o seu objeto. Se sente amor por mim, você esquece completamente de si mesmo; só eu me torno o objeto. Você projeta seu amor, seu ódio ou outra coisa qualquer sobre
mim. Você se esquece completamente do centro interior do seu ser; o outro torna-se o centro. Este sutra diz que, quando o ódio, o amor ou outro sentimento qualquer a favor ou contra alguém surgir, "Não o projete na pessoa em questão". Lembre-se, você é a fonte.

Eu o amo. O sentimento mais comum é de que você é a fonte do meu amor. Mas, na verdade, não é assim. Eu sou a fonte. Você é apenas a tela onde projeto meu amor. Você é só uma tela; eu projeto meu amor em você e digo que você é a fonte do meu amor. Não é o que acontece. Isso é ficção. Eu lanço a minha energia de amor e a projeto em você. Nessa energia amorosa projetada em você, você se torna encantador. Talvez não o seja para outra pessoa. Talvez seja absolutamente repulsivo para outro. Por quê? Se você fosse a fonte do amor, então todos deveriam sentir amor por você. Mas você não é a fonte. Eu projeto amor e então você se torna encantador; outro projeta ódio e você se torna repulsivo. E outra pessoa não projeta nada - é indiferente, talvez nem mesmo olhe para você. O que está acontecendo? Estamos projetando nossos próprios estados para os outros.

É por isso que, se você está em lua de mel, a lua parece tão linda, milagrosa, maravilhosa. Parece que o mundo inteiro é diferente. E, na mesma noite, para o seu vizinho, esta noite milagrosa pode não estar existindo. O filho dele morreu, então a mesma lua é triste, intolerável. Mas, para você, é encantadora, 
fascinante. Por quê? A lua é a fonte ou é apenas uma tela na qual você está-se projetando?

Este sutra diz: "Quando um sentimento contra ou a favor de alguma pessoa surgir, não o coloque na pessoa em questão" (ou no objeto em questão). Permaneça centralizado. Lembre-se de que você é a fonte, por isso não se dirija para o outro: dirija-se à fonte. Quando sentir raiva, não se dirija ao objeto. Vá para o ponto de onde provém a raiva. Não vá à pessoa a quem ela está sendo dirigida, mas sim para o centro de onde ela vem. Dirija-se para o centro; vá para dentro; use a sua raiva, o seu amor, ou qualquer outra coisa como uma jornada em direção ao centro interior até a fonte. Dirija-se à fonte e permaneça centralizado aí.

Tente! Esta é uma técnica psicológica muito científica, alguém o insultou; a raiva de repente explode; você está fervendo. A raiva está fluindo em direção à pessoa que o insultou. Agora você projetará toda essa raiva sobre ela. E ela não fez nada. Se o insultou, o que fez ela? Apenas o provocou, ajudou para que sua raiva surgissemas a raiva é sua. Se alguém chegar a um Buda e o insultar, não será capaz de criar nele nenhuma raiva. Ou, se chegar a Jesus, Jesus lhe dará a outra face. Ou, se chegar a Bodhidarma, ele vai morrer de rir. Isso depende.

O outro não é a fonte. A fonte sempre está dentro de você. O outro está apenas atingindo a fonte, mas, se não existir raiva dentro de você. Ela não surgirá. Se você bater num Buda, só sairá compaixão, porque nele só a compaixão existe. A raiva não virá à tona porque ela não existe. Se você jogar um balde num poço seco, não sairá nada. Num poço cheio você joga o balde e a água vem, mas a água é do poço. O balde só ajuda a trazê-la para fora. Assim, a pessoa que o insulta está apenas jogando um balde em você e o balde sai cheio da raiva, do ódio, do fogo que há dentro de você. Você é a fonte, lembre-se.

Para essa técnica, lembre-se de que você é a fonte de tudo o que está projetando nos outros: lembre-se sempre disso. E, sempre que houver um sentimento contra ou a favor, volte imediatamente para dentro e vá à fonte de onde provém o ódio. Fique centralizado aí; não se dirija para o objeto. Alguém lhe deu a oportunidade de ter a consciência de sua própria raiva: agradeça-lhe imediatamente e esqueça-se dele. Feche os olhos, volte-se para dentro e olhe para a fonte de onde vem esse amor ou essa raiva. De onde vem? Vá para dentro; entre: aí você encontrará a fonte, porque a raiva vem da sua fonte.

O ódio, o amor, tudo vem da sua fonte. E é fácil chegar à fonte no momento em que se está sentindo raiva, amando ou odiando, porque então você está quente. É fácil entrar nessa hora. O fio está quente e você pode usá-lo. pode ir para dentro com esse calor. E quando você atingir lá dentro, um ponto frio, de repente, Realizará uma dimensão diferente, um mundo diferente se abrindo à sua frente. Use a raiva. Use o ódio, use o amor para entrar.

Sempre os usamos para nos dirigirmos aos outros, e sentimo-nos muito frustrados quando não há ninguém em quem projetar. Vamos então projetando até sobre objetos inanimados. Tenho visto pessoas furiosas com seus sapatos, arremessando-os com raiva. O que estão fazendo? Tenho visto pessoas enraivecidas batendo portas, jogando toda a raiva sobre a porta, xingando-a, usando até palavrões contra ela. O que estão fazendo?

Vou terminar com um enfoque Zen sobre isso. Um dos maiores mestres Zen, Lin-Chi, costumava dizer: "Quando eu era jovem, adorava andar de barco. Tinha um pequeno barco e ia para o lago sozinho. Era capaz de ficar ali durante horas.

Um dia, aconteceu que, de olhos fechados, eu estava meditando no meu barco sobre a noite tão maravilhosa. Um barco vazio veio flutuando com a correnteza e aproximou-se e bateu no meu. Meus olhos estavam fechados e então eu pensei: ‘alguém está batendo seu barco contra o meu’. Senti raiva. Abri meus olhos e já
ia dizer alguma coisa com raiva para aquela pessoa. Então percebi que o barco estava vazio. Não havia jeito de me extravasar. A quem eu poderia expressar minha raiva? O barco estava vazio. Estava apenas flutuando na correnteza, chegou e bateu no meu barco".
Assim, não havia nada a fazer. Não havia possibilidade de projetar minha raiva num barco vazio.

Então Lin-Chi falou: "Fechei os olhos. A raiva estava ali presente, mas não achando um jeito de sair. Fechei os olhos e simplesmente comecei a navegar naquela raiva. E o barco vazio tornou-se a minha Realização. Naquela noite silenciosa cheguei a um ponto dentro de mim. Aquele barco vazio foi meu guru.

E agora, se alguém vem num barco e me insulta, dou risada e digo que esse barco também está vazio. Fecho os olhos e vou para dentro".

Mas quando experimentamos esta técnica com nossa raiva, nosso ódio, etc..., sentimos que estamos reprimindo nossas emoções e isso se torna um complexo reprimido. Como ficar livre desses complexos reprimidos enquanto praticamos a técnica mencionada?

A expressão e a repressão são dois lados da mesma moeda. São contraditórios, mas basicamente, não são diferentes. Na expressão e na repressão, em ambos, o outro é o centro.

Eu estou com raiva: reprimo a raiva. Eu ia expressar a raiva contra você. Mas a raiva continua sendo projetada em você, seja ela expressa ou reprimida.

Esta técnica não é de repressão. Esta técnica transforma a própria base tanto da expressão quanto da repressão. Esta técnica diz para não projetar no outro; você é a fonte. Expressando ou reprimindo você é a fonte. A ênfase não está nem na expressão, nem na repressão. A ênfase está em saber de onde vem essa raiva. Você tem de ir para o centro, para a fonte, onde surgem a raiva, o ódio, e o amor. Quando você reprime, não está indo para o centro. Está lutando contra a expressão.

A raiva surgiu em mim. Normalmente, posso fazer duas coisas, expressá-la em alguém ou reprimi-la. Mas, em ambos os casos estou preocupado com o outro e com a energia da raiva que veio à superfície, não com a fonte.

Esta técnica é para esquecer o outro completamente. Olhe apenas para a sua energia de raiva surgindo e vá bem no fundo para encontrar a fonte dentro de si mesmo, de onde ela está vindo. E, no momento em que você encontrar a fonte, permaneça centralizado nela. Não faça nada com raiva, lembre-se. Expressando, você está fazendo algo com a raiva; reprimindo, também está fazendo algo com ela. Não faça nada com raiva; não toque nela. Use-a apenas como um caminho. Vá bem fundo dentro dela para saber onde surgiu. E, no momento em que encontrar a fonte será muito fácil ficar centralizado nela. A raiva tem de ser usada, na verdade, como um caminho para encontrar a fonte. Qualquer emoção pode ser usada.

Quando você reprime, não encontra a fonte: está só lutando com a energia que surgiu e que quer ser expressa. Você pode reprimi-la, mas ela será expressa mais cedo ou mais tarde, porque você não pode lutar contra a energia que surgiu. Ela tem de ser expressa. Assim, você não pode expressá-la sobre "A", mas expressa-a sobre "B" ou "C". Sempre que encontrar alguém mais fraco do que você, expressará a energia. E, a menos que o faça, sentir-se-á carregado, tenso, pesado e até doente. Portanto, ela será expressa. Você pode reprimi-la constantemente. Por algum lugar ela escapa, porque se não escoar, você estará constantemente preocupado com ela. Assim, a repressão nada mais é do que uma expressão adiada. Você simplesmente adiará.

Você sente raiva de seu chefe, e não pode expressar isso. Não é "bom negócio". Você vai ter que engolir e, assim, vai esperar apenas até que possa expressá-la em sua mulher, em seus filhos, ou em qualquer outra pessoa - em seu empregado. E, no momento em que chegar em casa, você a expressará. Encontrará motivos, é claro, porque o homem é um animal racional. Ele raciocinará, encontrará alguma coisa, algo trivial. Mas que agora se tornará muito importante, porque ele tem alguma coisa para expressar.

A repressão não é outra coisa senão um adiamento. Você pode adiar por meses, ou anos, mas ela terá de ser expressa. Esta técnica não está nem um pouco interessada na repressão ou na expressão - não!

Esta técnica usa a sua emoção, a sua energia, como um caminho para você ir fundo dentro de si mesmo.

Crie uma emoção qualquer, mas não há necessidade, porque as emoções estão presentes o dia todo. Use qualquer uma para meditar. Então, você se esquece completamente do outro e não está reprimindo nada. Está apenas mergulhando com uma energia que surgiu. Toda energia vem da fonte, por isso, nesse exato
momento, o caminho está quente e você pode usá-lo para voltar. E, no momento em que você alcança a fonte original, a energia se dilui na fonte original. Isso não é repressão: a energia voltou a fonte original. E, quando você for capaz de reunir sua energia à fonte original, se tornará o mestre de seu corpo, da mente e da sua energia. Você se tornará o mestre! Agora não dissipará sua energia.

Uma vez que saiba como sua energia volta com você para o centro, não há necessidade de qualquer repressão. Nem de qualquer expressão. Neste momento você não está zangado. Eu digo uma coisa você fica zangado. De onde essa energia está vindo? Um minuto antes você não estava zangado, mas a energia estava dentro de você. Se ela puder voltar de novo para a fonte, você será o mesmo que há um minuto.
Lembre-se disto: energia não é raiva, amor, nem ódio. Energia é simplesmente energia - neutra. A mesma energia se torna raiva; a mesma energia se torna sexo, a mesma energia se torna amor; a mesma energia se torna ódio. Tudo isso são formas da mesma energia. Você dá a forma, sua mente dá a forma e a energia se move dentro dela.

"Portanto, lembre-se, se você amar profundamente, não terá muita energia para ficar zangado. Se não amar, então terá muita energia para se irritar e continuará encontrando muitas situações para ficar zangado".
O que significa isso? Cientificamente, significa que sua energia inteira voltou
para a fonte. Se você a expressa, ela vai para fora. E, expressando-a, você está criando hábito para a energia sair, para ela ser liberada. Se você a reprime, então a energia não se moveu nem para dentro nem para fora: fica suspensa. E uma energia suspensa é uma carga.

É por isso que, se você realmente exprime a raiva, sente-se aliviado. Destrói-se alguma coisa, seu ódio é liberado e você se sente aliviado. Por que é sentido esse alívio? Porque a energia suspensa é uma carga pesada. Sua mente fica anuviada por ela. Você tem de jogá-la fora ou permitir que ela volte à sua fonte original: só existem essas duas possibilidades.

Se ela volta à fonte, torna-se amorfa. Na fonte, a energia não tem forma. Por exemplo, a eletricidade é amorfa. Quando ela existe em um ventilador, toma um tipo de forma. Quando está em uma lâmpada, toma uma forma diferente. Você pode usá-la de mil maneiras. A energia é a mesma. A forma é dada pelo mecanismo na qual ela se move.

A raiva é um mecanismo; o sexo é um mecanismo; o amor é um mecanismo; o ódio também. Quando a energia se move pelo canal do ódio, torna-se ódio. Se a mesma energia se mover pelo canal do amor, se tornará amor. Mas, quando ela se move para fonte, é uma energia sem forma, energia pura. Não é ódio nem amor, nem raiva, nem sexo: simplesmente energia. Então é inocente, porque a não forma é inocência absoluta. Por isso é que: Jesus, Buda parecem tão inocentes, como uma criança. A energia se moveu para a fonte.

Não exprima, porque estará desperdiçando sua energia e ajudando a outro a desperdiçá-la também. Não a reprima, porque então estará criando um fenômeno suspenso que terá de ser aliviado. Então o que fazer?

Não faça nada com o sentimento em si. Volte para a fonte de onde ela vem. E quando a sensação ainda está quente, o caminho é claro, internamente visível. Você pode se dirigir para ele. Use os sentimentos para meditar. O resultado é milagroso, inacreditável. E, uma vez que você encontra a chave que mostra como canalizar a energia de volta para fonte, você tem uma qualidade diferente de personalidade. Não está mais desperdiçando coisa alguma.

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